Paralelo ao desenvolvimento da carreira docente, desde o século XVIII, constata-se o desenvolvimento de uma prática protecionista em relação ao desempenho do professor. É muito provável que essa prática seja fruto da feminilização da docência que marca a história do magistério. Mulheres bem casadas, cultas, dona-de-casa foram consideradas pessoas adequadas para o exercício do magistério, em especial, a partir do século XIX. Sendo assim, eram mulheres que prestavam um importante serviço social. Inquestionável, portanto!
Assim, apesar do reconhecido movimento de identidade e profissionalização da docência que se iniciou no século XX, hoje, a ação protecionista ainda é muito forte e são grandes as resistências a sua mudança.
Qualquer projeto ou gestor que pense em criar um sistema de avaliação do trabalho docente é logo “apedrejado”. Na aula do professor, ninguém mexe! É sagrado! Há, portanto, uma forte corrente que defende a total autonomia do professor, ou seja, a total liberdade para planejar as aulas, selecionar os conteúdos, elaborar as provas, fechar as notas e tudo o mais que envolve a ação docente. O professor tudo pode!
Entretanto, essa noção de liberdade contraria outra ideia que se consolidou no século passado. A ideia do Projeto Político Pedagógico (PPP), em que as decisões e ações educativas são fruto da discussão coletiva. Sendo assim, pelo menos no plano teórico, todo o trabalho docente é um trabalho do coletivo, pertence a esse e não somente ao professor. Necessita, portanto, ser avaliado: em que medida, a ação docente responde ao que se idealizou no PPP?
Dito isso, é necessário frisar: a liberdade do professor é e deve ser relativa. A avaliação do seu trabalho é condição indispensável para o avanço da qualidade. Aqueles que ainda não se conscientizaram disso é porque permanecem estáticos nos séculos passados. Até quando?
CHAVES, Laura Cristina Peixoto. Na prática do professor ninguém mexe! Até quando? Disponível em: http://professoralaurachaves.blogspot.com/