EDUCAÇÃO: DIREITO OU PROBLEMA
SOCIAL?
A educação, como todos sabemos, é um direito social,
garantido pela Constituição Federal, mas do jeito que a coisa anda, está mais
para problema do que para direito.
Nos últimos 20 anos, na tentativa de melhoria da qualidade
da educação, o Brasil experimentou de tudo: escola aprendende, escola cidadã,
escola candanga, entre tantas outras adjetivações possíveis de serem atribuídas
à escola. Experimentou, também, progressão continuada, ciclos, recuperação
paralela, progressão automática, programas de formação continuada, hora-atividade
e avaliação contínua. A disciplina língua portuguesa foi português, língua
materna e voltou a ser língua portuguesa. Ah, e como não se lembrar da escola
da família, amigo da escola, escola para todos, escola inclusiva e tantos
outros programas. Resultado de todas essas experiências? A grande maioria dos
alunos conclui o ensino fundamental sem o domínio básico da língua e dos
conceitos matemáticos.
Os graves problemas da educação brasileira parecem estar
relacionados primeiramente à política pedagógica. Dissipou-se um discurso
equivocado de ensino em que, a escola tem que ser mais liberal, cada aluno
aprende no seu tempo, alunos carentes têm dificuldades de aprendizagem, é
preciso focar no processo, etc, etc, etc. Não se tem o ensino como obrigação da
escola. E ensino envolve, por parte do professor, domínio de conteúdo, a
preparação de boas aulas, domínio de classe, entre outros aspectos. Por parte
do aluno, exige tempo de estudo, dedicação e postura. Não existe mágica para
aprender.
Mas não só isso, os problemas também dizem respeito à
estrutura das escolas que não atraem e nem motivam professores e alunos. Temos
prédios escolares assombrosos. Fora isso, temos o problema de desvalorização da
classe do magistério, cujos salários pouco atraentes. Em breve, teremos um
colapso no número de professores. Para completar, os sindicatos atrapalham as
tentativas de meritocratização. Mas, os problemas não param por aí.
Temos um sério
problema social. As famílias e a sociedade não cobram resultados da escola e
conformam-se com o atual estado da situação. Os dirigentes da educação
geralmente são políticos e em nada contribuem para o desenvolvimento de
políticas efetivas.
Para mudar o status de
problema para direito faz-se necessária vontade política e engajamento da
sociedade.
CHAVES, Laura Cristina Peixoto.
Abril de 2016.
Disponível: http://professoralaurachaves.blogspot.com.br/
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