terça-feira, 14 de junho de 2016

EDUCAÇÃO: DIREITO OU PROBLEMA SOCIAL?



EDUCAÇÃO: DIREITO OU PROBLEMA SOCIAL?
            A educação, como todos sabemos, é um direito social, garantido pela Constituição Federal, mas do jeito que a coisa anda, está mais para problema do que para direito.
            Nos últimos 20 anos, na tentativa de melhoria da qualidade da educação, o Brasil experimentou de tudo: escola aprendende, escola cidadã, escola candanga, entre tantas outras adjetivações possíveis de serem atribuídas à escola. Experimentou, também, progressão continuada, ciclos, recuperação paralela, progressão automática, programas de formação continuada, hora-atividade e avaliação contínua. A disciplina língua portuguesa foi português, língua materna e voltou a ser língua portuguesa. Ah, e como não se lembrar da escola da família, amigo da escola, escola para todos, escola inclusiva e tantos outros programas. Resultado de todas essas experiências? A grande maioria dos alunos conclui o ensino fundamental sem o domínio básico da língua e dos conceitos matemáticos.
            Os graves problemas da educação brasileira parecem estar relacionados primeiramente à política pedagógica. Dissipou-se um discurso equivocado de ensino em que, a escola tem que ser mais liberal, cada aluno aprende no seu tempo, alunos carentes têm dificuldades de aprendizagem, é preciso focar no processo, etc, etc, etc. Não se tem o ensino como obrigação da escola. E ensino envolve, por parte do professor, domínio de conteúdo, a preparação de boas aulas, domínio de classe, entre outros aspectos. Por parte do aluno, exige tempo de estudo, dedicação e postura. Não existe mágica para aprender.
            Mas não só isso, os problemas também dizem respeito à estrutura das escolas que não atraem e nem motivam professores e alunos. Temos prédios escolares assombrosos. Fora isso, temos o problema de desvalorização da classe do magistério, cujos salários pouco atraentes. Em breve, teremos um colapso no número de professores. Para completar, os sindicatos atrapalham as tentativas de meritocratização. Mas, os problemas não param por aí.
            Temos um sério problema social. As famílias e a sociedade não cobram resultados da escola e conformam-se com o atual estado da situação. Os dirigentes da educação geralmente são políticos e em nada contribuem para o desenvolvimento de políticas efetivas.
            Para mudar o status de problema para direito faz-se necessária vontade política e engajamento da sociedade.
CHAVES, Laura Cristina Peixoto.
Abril de 2016.
Disponível: http://professoralaurachaves.blogspot.com.br/