domingo, 12 de junho de 2011

Currículo Escolar: tudo ou quase tudo!

Recentemente, atuando como formadora em um seminário de educação, que envolvia professores de diversas áreas do conhecimento, para dar início a nossa conversa, perguntei aos colegas: qual o papel da escola? Imaginava que a resposta seria dada de pronto. Para minha surpresa, um silêncio tomou conta da sala. Depois de algum tempo, algumas respostas foram timidamente lançadas: formar cidadãos, preparar para a vida, respeitar as diversidades... O silêncio seguinte foi o meu! Nem um professor, em mais de meia hora de conversa, sinalizou que cabe à escola ensinar.
Quando eu disse que o principal papel da escola é ensinar houve certa perplexidade na platéia e uma espécie de decepção em relação à formadora. Tradicional, por certo!
Isso comprova que, atualmente, são atribuídas tantas funções à escola, que sua função principal foi deixada de lado. A escola é, por excelência, o espaço social de formação humana, cuja organização é institucionalizada e cuja ação de ensino deve ser intencionalmente planejada.
Por fim, os professores acabaram por concordar comigo. Nosso questionamento seguinte foi: o que ensinar?
Mais uma vez os professores titubearam. Eles disseram que isso é muito relativo, que vai depender de escola para escola, do tipo de aluno, das orientações das secretarias de educação... Não houve um só professor que tivesse claro o que deve ensinar. Isso, não acontece só com esses professores, é algo mais ou menos generalizado e tem a ver com a noção de currículo que vem se construindo na educação brasileira.
Ao longo do tempo, os estudos ampliaram a noção de currículo. A idéia que se postula, hoje, é de que tudo que acontece na escola é currículo. Abandonamos a visão reducionista do currículo como um rol de conteúdos para uma visão tão ampla que o currículo tornou-se tudo ou quase tudo que acontece na escola.
O grande perigo é que essa visão muito ampla de currículo pode distanciar o currículo das questões reais da escola e, o que seria desastroso, distanciar a escola da sua função de ensinar.
Não se pretende aqui negar os avanços no campo de pesquisa e da teorização do currículo, entretanto, os professores continuam sem saber responder o que ensinar. E essa é uma questão que parece não ser respondida pela teoria.  Existe claramente uma tensão entre a teorização curricular e a prática curricular. Isso porque, o que se produziu teoricamente sobre currículo não corresponde à prática efetiva de currículo. É muito provável que a teorização não tenha levado em conta a escola real.
Superar esta tensão é ponto de partida para que no interior das escolas e dos sistemas de ensino, se defina uma proposta de currículo que contemple a evolução teórica e prática e que responda efetivamente a questão central da escola: o que ensinar? 

CHAVES, Laura Cristina Peixoto. Currículo Escolar: tudo ou quase tudo! Disponível em:http://professoralaurachaves.blogspot.com/